novembro 16, 2012

Um conto interessantíssimo do meu amigo escritor Antônio Novaes


DESCANSO ETERNO? A Sra. Matilde acabara de adentrar em outro mundo. - Seja bem vida a sua nova moradia D. Matilde - recepcionou alegremente com a voz calma e serena o representante daquele lugar. - Mas quem é você? Um anjo, um espírito? Sim, porque eu quero saber qual das religiões que freqüentei estava certa? - perguntou apreensiva D. Matilde. - Não importa a crença que a Sra. seguiu na terra D. Matilde, aqui não temos religião, e se a senhora frequentou alguma que a trouxe até aqui, com certeza estava no caminho certo, mas outras também poderiam tê-la trazido a esse lugar, pois foi suas atitudes benevolentes que a transportou automaticamente para cá e não a sua religião. – explicou o individuo calmamente que também a alertou. - Mas eu preciso dize-la também que entrastes aqui praticamente batendo na trave, pois tivestes uma vida digamos... como vocês dizem na terra, de perua. A senhora se preocupava demasiadamente com bens materiais, e foi a sua ultima caridade a uma instituição que cuidava de crianças carentes, seu passaporte para esse lugar. Por isso eu gostaria de informa-la que a Sra. ainda está em observação, e para garantir que esse mundo seja seu descanso eterno definitivamente, precisa controlar seus pensamentos materialistas. Agora a Sra. pode finalmente desfrutar do nosso maravilhoso paraíso. E foi com essas palavras que D. Matilde foi transportada imediatamente para um lindo lugar cheio de pássaros, arvores, belas plantas, lagos e uma tranquila praça em que ela caminhou até encontrar um Sr. sentado em um banco, parecendo estar pensativo. - Que bonito esse lugar hein!? – iniciou a conversa D. Matilde . - Lindo mesmo – respondeu o Sr. que continuou pensativo, sem dar continuidade ao assunto. - Aqui é sempre parado assim? - se queixou D. Matilde, quebrando um longo silencia que havia se formado. - Sempre. O máximo de movimentação que acontece são dos pássaros, ou de algum peixe que de vez em quando resolve dar uma saltadinha para fora da água. De resto é um eterno marasmo. Na terra, apesar de muitas caridades devido a minha ótima situação financeira, eu estava acostumado a viajar e frequentar lugares badalados. – confidenciou Sr. Juvenal, com uma aparente pontinha de revolta. - Eles poderiam ter feito algo para pessoas como nós se distrair aqui, não é. Sei lá... talvez um shopping celestial, ou... uma galeria de artes com pintores famosos que passaram pela terra? - Ou uma casa de vídeo poker sem fins lucrativos – emendou de imediato Sr. Juvenal. - Que saudade do meu tablet?! Ái, vibrou. Acho que é meu celular – gritou eufórica D. Matilde que instantaneamente foi transferida, junto com o Sr. Juvenal para a sala do representante Geral. - Aqui não temos celulares – disse com certa irritação o representante geral daquele lugar. A vibração que a Sra. sentiu foi efeito dos pensamentos inferiores que teve em relação a esse paraíso. E o Sr, seu Juvenal? Que coisa feia hein?! Compartilhando do mesmo pensamento da D. Matilde. Então quer dizer que vocês não estão satisfeitos? Acham esse lugar parado? Pois fiquem sabendo que existe outro mundo, muito mais quente, super agitado e repleto de pessoas materialistas como vocês dois. Na terra, uns dão o nome de inferno, outros o chamam de umbral. É só desejarem que estarão lá neste exato momento. Sr. Juvenal e D. Matilde se entreolharam e pensaram juntos. - Só se for agora!!! Imediatamente eles desapareceram do paraíso e o representante Geral pensou. - Mais dois que não se acostumaram.

3 comentários:

  1. Oi Shirlei. Amiga, como sempre você foi generosa comigo. Obrigado por compartilhar meu texto com seus amigos.

    Grande abraço.....Antonio Novaes

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Que nada! Talento igual ao seu é pra ser exposto e não encoberto, Sucesso!

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